REVELAÇÕES DO MERCADO:
O QUE APRENDI COM A CRISE DE 2008
Em 12 de setembro de 2008, eu me sentia muito seguro do meu entendimento sobre os fundamentos básicos das finanças. Ainda que soubesse que havia várias áreas nas finanças em que eu poderia aprender um pouco mais, acreditava compreender os principais conceitos e ter uma boa ideia de como os mercados funcionam (e, às vezes, deixam de funcionar).
Os últimos três meses de 2008 testaram meus conhecimentos e crenças de formas e maneiras que jamais imaginei serem possíveis. Se a essência da educação é aprender aquilo que se desconhece, eu aprendi mais nesse período do que nos trinta anos anteriores como aluno doutorando, acadêmico e profissional da área. Não se trata apenas de os mercados terem desmoronado globalmente – algo que já acontecera –, mas de a queda do mercado ter sido acompanhada por eventos que os maiores teóricos e profissionais das finanças teriam descartado como improváveis, apenas uns meses antes.
Ainda que seja importante conhecer as razões para essa turbulência e que haja motivos para se apontar os culpados, acredito que o resultado final seja totalmente previsível. Pessoalmente, tenho uma agenda diferente que, de certa forma, é bastante pessoal. Cada dia desta crise me trouxe novas surpresas e expôs muito do que eu julgava verdadeiro, antes de setembro de 2008, como sendo questionável. Por isso, gostaria de levá-los a uma viagem de descobertas sobre o que ocorreu nesse período e suas implicações, e do quanto a situação mudou meu raciocínio sobre os tópicos de finanças corporativas e gestão de carteiras.
De fato, pretendo dividir o que encontrei, ao longo desse caminho, em três áreas. O primeiro grupo inclui fatos que eu realmente desconhecia, em 12 de setembro, e que hoje conheço. Nessa categoria, estão incluídos os seguintes fenômenos:
1. As taxas nominais de risco podem se tornar negativas.
2. Não há ativo livre de risco.
3. Os prêmios de risco para as ações e para os títulos de dívida podem mudar drasticamente mesmo em 3. mercados maduros.
O segundo grupo inclui fatos que eu julgava saber, mas descobri que não sabia. Nele, incluí o seguinte:
1. Em mercados desenvolvidos, as grandes empresas sempre conseguem levantar capital novo.
2. As corridas aos bancos são coisas do passado, com a supervisão das autoridades, as novas regras contábeis (de marcação a mercado) e as ferramentas de gestão de risco que temos hoje.
3. A estratégia de Value Investing (investir em ações de baixo lucro (PE), alto rendimento e baixo PBV) carrega menor risco do que a de Growth Investing (investir em empresas com crescimento acima da média).
4. Os dividendos “são grudentos”, isto é, (ao menos nos EUA), as empresas “grudam” em sua política de dividendos durante os períodos bons e durante os ruins também.
5. A diversificação por meio de todos os tipos de ativos oferece certa proteção.
6. Temos um bom conhecimento de como medir o risco.
O terceiro grupo é uma longa lista das minhas opiniões sobre finanças, que saíram reforçadas e fortalecidas após os acontecimentos do último trimestre de 2008:
1. Os títulos de dívida são uma faca de dois gumes.
2. Um bom saldo de caixa não é apenas um ativo consumível, mas uma boa proteção contra as crises.
3. A linha divisória entre hedging e especulação é muito tênue
e facilmente transponível...
4. A Rua do Comércio e a Rua da Bolsa são interdependentes. Uma não pode estar bem se a outra não estiver.
5. Somos globalizados em todas as dimensões possíveis.
6. Ignore a falta de liquidez por conta e risco próprios... O custo dessa atitude pode variar com o tempo e com os mercados.
7. Nem sempre as ações ganham no longo prazo.
8. O Smart Money, o dinheiro investido por investidores experientes, nem sempre é tão inteligente!!!
9. Mesmo os investidores da pesada, como Buffett e Miller, cometem erros!
10. Guru hoje, vítima amanhã!!!
Cada uma das três partes do curso será desenvolvida em torno de uma lição (aprendida, desaprendida e reforçada), começando pelo que se conhecia e praticava antes de 12 de setembro, os eventos que derrubaram por terra esse raciocínio e de que forma o ocorrido mudará a maneira de lidar com as finanças no futuro.
Como os assuntos que cobrirei são centrais para a prática financeira, o efeito onda vai espalhar-se por todo lado. O público potencial para este seminário é composto de profissionais da área das finanças corporativas em grandes empresas, bancos de investimentos e consultorias, passando por gestores de carteiras e analistas de mercados de renda variável e chegando a investidores. Espero poder apresentar o que aprendi da maneira menos técnica possível, a fim de permitir que até o mais leigo dos presentes saia com alguma ideia do assunto. |